A música que aflora em Gonzaga Leal

Cantor pernambucano lança sexto trabalho cercado de cuidados

Cantor pernambucano lança sexto trabalho cercado de cuidados

por Beto Feitosa – Ziriguidum

Cantor do sertão pernambucano radicado na capital do Recife, Gonzaga Leal lança seu sexto trabalho, o CD O que mais aflore, produção independente. Como nos álbuns anteriores, Gonzaga faz questão de oferecer tanto uma caprichada arte gráfica quanto musical. Sua produção surpreende sempre positivamente, e a regra aplica novamente ao novo CD.

Produzindo discos de ótimo nível fora do eixo da mídia principal, Gonzaga Leal confirma a tradição de Recife como pólo cultural. Sua obra dialoga com ritmos locais e também com importantes artistas. Extremamente criterioso em suas parcerias, em E o que mais aflore Gonzaga junta sua voz a Marcos Sacramento em Saudades do meu barracão, grande samba de Ataulfo Alves que faz parte do repertório do cantor carioca. Também passam nomes como Roberto Mendes em Deu saudade, Geraldo Maia em Pedra de fogo, Anastácia Rodrigues em Ponto de Oxum e Naara em Bendito fruto. Ainda na nobre lista de participações, recebe grandes instrumentistas como o violeiro Chico Lobo em sua belíssima Hoje sei que volto além de Dominguinhos na seresta Última estrofe, do carioca Cândido das Neves.

O bom gosto se estende na seleção do repertório, juntando compositores clássicos com peças colhidas de domínio público e também nomes menos conhecidos. Gonzaga é pesquisador atento, e sabe fazer uma seleção cuidadosa alinhando qualidades e surpresas. Descobre a paisagem urbana em De madrugada de Aristides Guimarães, compositor ligado ao chamado “tropicalismo pernambucano”. Ainda de sua terra, destaca nomes como Junio Barreto (A quem a glória pode ser) e Juliano Holanda (Na primeira cadeira que encontrei).

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